A Empresa

A Lunar Indústria e Comércio Ltda, fundada em 24 de fevereiro de 1997, traz em sua essência a fabricão do lenço tradicionalista gaúcho na forma como conhecemos hoje. O atual proprietário, Idalino Pizzamiglio Filho, inspirou-se em seu pai, Idalino Pizzamiglio (in memorian), que iniciou a fabricaçãoo de lenços na tecelagem Nossa Senhora de Pompéia em 1935. Em 1959, transferiu-se para a Scavino Bertuzzi & Cia Ltda, levando consigo seu conhecimento e tradição cultivados na antiga tecelagem. Segundo registros históricos, a confecção do lenço tradicionalista começou em 1920, na Tecelagem Nossa Senhora de Pompéia.

Provavelmente os antigos fabricantes não imaginavam que a força deste adereço da indumentária gaúcha perdurasse até hoje. Alguns produtos fabricados atualmente, como o lenço carijó, o pala de seda e tantos outros artigos, tiveram a colaboração de Idalino Pizzamiglio em suas criações. A Lunar Indústria e Comércio Ltda orgulha-se de seu histórico familiar e procura manter a tradição e a serenidade na confecção de seus produtos, assim como na relação que mantém com seus clientes.


Tradição Gaúcha

O uso do lenço à cabeça procede da Península Ibérica. Os bandeirantes usaram lenço à cabeça, bem como os gaúchos e os índios minuanos. Estes usavam um lenço dobrado passado ao redor da cabeça. O termo vincha não foi mencionado na área brasileira. Entre os castelhanos, era uma cinta, faixa de tecido "pampa", tira de couro, ou um lenço dobrado com que os índios e paisanos sujeitavam os cabelos. Atualmente, só usam a "vincha"" os domadores. O lenço ao pescoço é de introdução européia e de uso em vários países sul-americanos: Bolívia, Argentina, Uruguai e Brasil. Há vários tipos de nós, havendo alguns de simbolismo político, como o Republicano composto de dois topes e uma "rapadura" ao centro (vermelho 1835).

No anuário do Rio Grande do Sul de Graciano de Azambuja (1892 pág.160), há informes sobre o nó republicano. Sua colocação, a do lenço à cabeça é explicada por Augusto Meyer: "... o engenhoso laço feito com as pontas de grande lenço vermelho, que recobre a cabeça, caindo em pontas sobre as costas, e com as outras pontas atava-se um complicado nó de gravata pendendo sobre o peito".

Paixão Côrtes em "O Gaúcho, Danças, Trajes, Artesanato" faz descrição minuciosa sobre os diferentes nós de lenços. Os mais conhecidos são: nó de correr ou de namorado, nó de três galhos, rapadura, nó republicano, nó de ginete, nó comum.

Quanto as cores, houve tempo em que elas significavam partidos políticos:

  • Chimango (ala radical do Partido Liberal no I e II Impérios) cor branco.
  • Maragato (partidários do parlamentarismo defendido por Gaspar Silveira Martins - Revolução Federalista de 1893, posteriormente Partido Libertador) cor vermelha.

A origem da palavra Maragato vem do Uruguai; o chefe gasparista Gumercindo Saraiva procedia do departamento de San José (da Banda Oriental), colonizado por espanhóis procedentes da Maragateria de Espanha. O lenço usado a meia espádua, imita a antiga charpa de uso na Europa que, aqui no Brasil, foi utilizada pelos bandeirantes. Os campeiros da região serrana do Estado do Rio Grande do Sul usavam lenço como escoteiros com a ponta caída às costas. Não só de uma cor lisa, mas também de xadrez miúdo. É de uso comum entre gaúchos uma presilha em forma de anel (muitas vezes a própria alianéa), para prender o lenço, substituindo assim, o nó. O material usado para isto varia: chifre, osso da canela de avestruz, metal, couro, ouro e prata.


Fonte: http://www.mtg.org.br/